|
"Todo eu sou qualquer força que me abandona." Alberto Caeiro 26 anos Publicitária Sagitariana Admiradora do mar Admiradora da lua Ama música Ama literatura Ama as artes
Para falar com o mar
Marés anteriores:
Onde o mar vai: A Menina no Espelho Alma do meu Sonho Alma Perdida Ampulheta Azul Avesso dos Olhos Bloco de Notas Brisa do Mar Cais em Plano Crazy Salad Desnudas Entre Nós Estabelecimento da Certeza Lullaby Menina do Vento Meu vício desde o início Misstieme On Camera Ou Isto Ou Aquilo Pedaços de Pessoa Rafas Recanto da Lua Transmutação Walkwoman |
Quarta-feira, Julho 20, 2005
Me deixo levar por uma semana, para talvez pode voltar, quem sabe eu, ou outra qualquer, quem sabe pois eu não sei, sei que quero que passe logo... passa sim, logo passa. Hoje me bastam as palavras, que fazem a imagem certa, não necessito de nada além de um espelho de vogais e consoantes, Nelas estão o reflexo perfeito da imagem que sou. Se fosse eu mesma na imagem. Se eu fose eu - Clarice Lispector "Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir. E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente pasavem a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei. Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu, e confiaria o futuro ao futuro. "Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova do desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas a primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais." mensagens na garrafa: / |